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Keblinger

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Há sinais, eu posso vê-los

| 22 julho 2011

Dizem que a humanidade criou a ideia de que existia um deus porque a vida no seu ciclo de nascimento, procriação e morte trazia um vazio existencial desesperador. Daí então a necessidade de se declarar a existência de um Ser Supremo que nos proporcionaria uma extensão maior da vida com perspectivas de eternidade e não mais morte.

Vieram então conceitos sobre este deus, de como Ele seria. A visão humana e unilateral para a concepção desse deus,o colocaram em um patamar alto, bastante distante de toda e qualquer relação humana com este. Este Ser divino era uma espécie de supremo Rei, muito semelhante aos tiranos da terra. Todos deveriam alinhar-se aos seus preceitos durante a passagem pela mundo, para que assim tivessem o direito de habitar com Ele na eternidade.

Não demorou muito para que estes deuses criados fossem questionados a medida que as culturas se iam elevando em intelecto e razão. 
Se havia um deus, passou-se a pensar, que se apresente, cansamos de especulá-lo.
E o Deus verdadeiro mostrou-se - embora não dando brechas para que fosse compreendido inteiramente pela razão humana - as Escrituras Sagradas e a sua encarnação em Jesus Cristo revelaram-no a nós. 
Completamente diferente do que a mente humana tentou fabricar. Deus é um mistério revelado e a se revelar. É tão simples que confunde a todos em profundidade. É tudo que jamais foi visto, e ao mesmo tempo, tudo que comummente pode ser encontrado naquilo que vemos todos os dias (Jesus comparou suas ações com vento, água, pão).
Crer em Deus também é algo misterioso. A primeira coisa para tal é desistir das próprias formulações do que imaginamos que Ele seja, e aceitar passivamente a sua auto revelação, nas Escrituras Sagradas e na pessoa de Jesus Cristo.
Mas nossa mente trabalha de maneira incorrigível, e desejamos estabelecer uma relação com Deus da maneira pela qual aprendemos a nos relacionar com o mundo, pela experimentação sensitiva e direta. Queremos ver, tocar, ouvir.
E num convite desafiador ao nosso entendimento as Escrituras dizem "Provai e vede" (Sl 34.8). E respondemos na nossa fragilidade "Provar e ver o quê?", não se prova o que não se vê.
O desafio é o de nos achegarmos a Deus confiantemente, acreditando que Ele existe. Por tanto, o que nos foi revelado não basta, queremos mais. Mas se o tivéssemos agora da maneira que desejamos, terminaríamos por estragar o propósito de entrega confiante que está sendo construído em nós através dessa momentânea e aparentemente distante relação.
Há sinais, eu posso vê-los e não tenho como negá-los. Deus mostra-se presente através deles. Porém, a nossa fé é muito oscilante. Cremos muito, num instante não cremos tanto, só não deixamos de crer porque somos resgatados a toda hora por uma manifestação que nos arrebata os sentidos. Parece-me que Deus deseja que seja assim. Jesus manifestou a plenitude do Pai, e ainda assim foi rejeitado. Não podemos garantir que a plenitude de Deus manifestada a nós nos daria a confiança necessária que precisamos ter nele. Por isso, acreditamos nos sinais, alguns tão simples, outros tão grandes. Feitos para todos nós ou para especificamente um de nós em dado momento.
Há sinais, eu posso vê-los, portanto, há um Deus eu posso senti-lo.



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